6 de novembro de 2009

Blogagem Coletiva



Educação financeira para mim é mais do que fazer contas.

Como filha única, as pessoas tinha o conceito de que eu deveria ter tudo que quisesse.

E realmente tinha.

Meus pais sempre estavam ali. Ao alcance das mãos e do coração.

Com eles aprendi a conhecer lugares, amar a praia, subir em jabuticabeiras, ter gosto pela estrada e viver de maneira simples.

Ganhava presentes sim.

No Natal, aniversário e dia das crianças.

Fora dessas datas, muito raro.

Lembro do dia que ganhei o Amendoim, um bonequinho de pano de boné vermelho, e sardas no rosto.

Passado o momento da surpresa me veio a pergunta.

“Mas porquê? Não é natal?”

Meu pai respondeu: “Achei que você ia gostar dele.“

O Amendoim transformou-se ali no melhor presente do mundo.

Não foi pedido nada em troca, não foi recompensa por alguma coisa feita, nem compensação por algo. Isso nunca foi feito pelo meus pais.

Boas notas, bom comportamento era minha obrigação.

Tinha poucos brinquedos, mas era mais do que suficiente.

Afinal, brincar era na rua, embaixo do prédio com os amigos.

Para quê aquela boneca cara que não faz nada?

Queimada, Pique-Pega, O chefe mandou, era mais divertido.

Claro que ficava impressionada com aquele estojo enorme de lápis de dois andares vindo direto da Disney da colega do lado.

O meu era uma caixinha da Faber Castel com 10 lápis.

Mas pintava do mesmo jeito.

Comprar um cofrinho para o seu filho e ensiná-lo a poupar, juntar dinheiro para comprar algo desejado não é suficiente.

Temos que ensinar o que comprar e principalmente se é necessário comprar.

Há uma grande diferença entre “precisar” e “querer”.

Se ele já tem trinta carrinhos jogados no baú será que vale a pena comprar outro?

Educação Financeira Infantil é isso.

Ensinar o verdadeiro valor não só do dinheiro.

Mas o valor de cada coisa da vida.

Fico triste quando vejo um grupo de adolescentes julgando a colega pela marca da mochila, da maquiagem usada, se o cabelo não é liso.

Não adianta só ensinar “não gastar mais do que se ganha” porque nunca ganhará o suficiente para suprir sua necessidade.

Quando se tem uma base emocional frágil, carente, o ser humano tenta preencher com o material.

Todo mundo gosta de comprar. É prazeroso ter algo novo.

Mas é preciso ensinar o limite a criança.

Ter tudo o que quer não é encher o quarto do seu filho de coisas.

Os brinquedos irão se quebrar, ou ele irá enjoar dele.

Amor, carinho, disciplina, lições morais, humildade, isso não se compra na loja.

Se você soube ensinar isso ao seu filho, ele irá carregar para a vida toda.

Não transfira seu amor para um brinquedo, um objeto qualquer.

Ele é muito maior do que isso.

E muito mais simples.


Esse post foi uma partipação da blogagem coletiva tema: Eu apoio a Educação Financeira Infantil do Blog Cybele Meyer.


8 comentários:

Vanessa disse...

Estou tentando , com afinco , criar meu filho assim. Belo texto.

Abraço

Cynthia Santos disse...

Tomara que a vida siga sempre assim, com simplicidade. Sonho em conseguir criar Arthur dessa forma, mas nesse mundo atual,em que o tempo não existe, e que muitas vezes é mais fácil dar um presente que um beijo, eu confesso ter muito medo. Medo de mim, da minha falta de paciência. Sonho com os dias em que chegaremos em casa após a escola e o serviço e sentaremos pra nos curtir como família, conversar, ajudar com o dever escolar, ver televisão. Espero que quando esse tempo chegar, eu não tenha virado mais uma daquelas mães que, cansada, pede ao filho pra ir atrás do pai ou não incomodar no momento sagrado da novela, e o amor virar presentes de compensação, deseducando e virando tudo do avesso....
Afe, que fatalismo. Acho que a semana não foi muito boa pra mim...eheheheh
Esse amendoim eu não conheci!
E eu morria de inveja da semanada...ahahahahaha
Beijos, M'Aninha!

Ana disse...

Obrigada Vanessa!
E Kaká só o fato da gente ter essa consciencia já ajuda muito.
E como essa semanana faz falta!
Hehehehe

Beijos!

Paty disse...

Nossa Ana, vc tem toda razão!
Esta é uma maneira de eles se controlarem e não saírem gastando em besteiras que os façam se arrepender depois.
Adorei o post, já estou colocando o selinho no meu blog tb.

Beijocas, tenha um ótimo FNS

Ana disse...

Oi Paty, obrigada!
Beijos!

piscardeolhos disse...

Oi, Ana, obrigada pela visita lá no blog!
Menina, eu lembro de uma tal Alessandra que estudava comigo na segunda serie e tinha absolutamente TUDO importado (o que, na minha época era coisa difiiiiicil de se ver, pense como sou antiga..) Pois vc acredita que ela nos "forçava" a fazer uma fila se quiséssemos ver o que o pai dela tinha trazido de fora??? E sabe o pior? A gente fazia!!!!!! Hahaha, não acredito que lembrei disso, jesus.
Parabens pelo texto, vou dar uma futucada no blog!
Beijos e apareça sempre!
Roberta

Ana disse...

Oi Roberta!
Fila? Fala sério!
Se fosse hoje acho que ela cobraria para ver as coisa. kkkk
Obrigada pela visita!
Terá minha presença lá sempre pode ter certeza.
Beijos!

Roteiro Baby disse...

Ótimo post. Assino embaixo.
Mudei de emprego, falta tempo pra internet e só tenho tido tempo para visitar os blogs pelo iPhone. Aí fica difícil de comentar... Mas estou sempre por aqui, viu?!

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