16 de dezembro de 2009

Depressão Pós Parto


Estou devendo este texto já há um tempinho, mas me aconteceram algumas coisas na época em que o prometi, que me afetaram bastante o lado emocional, então achei por bem não mexer com esse tipo de sentimento na época. Agora está tudo bem, e já consigo tratar do assunto.
Como toda mãe "recém-nascida", eu também passei pelo tal "blues puerperal", uma espécie de melancolia pós-parto, ocasionada pelo parto em sí, pela alteração brusca dos hormônios (os da gestação praticamente desaparecem, para dar lugar aos da produção de leite), e pela própria situação de me ver mãe, com um bebê nos braços, num futuro cheio de incertezas. Você pode estar se perguntando: "Mas, ser mãe não é o momento mais feliz na vida de uma mulher?" - Sim, é, nada se compara a ter o SEU filho nos braços, ter seu sonho realizado (no meu caso, um sonho acalentado por cinco anos).
Mas a mudança é grande, muito grande.
Temos uma visão poética de que tudo são flores e que tudo é fácil, e nós nos consideramos super-mulheres e achamos que damos conta de tudo sozinhas - mas não é bem assim...
A rotina vira do avesso, e é mais complicado para as chamadas "mães tardias", como eu, que tive meu Príncipe com 35 anos - casada há 10 anos, nossa rotina todinha traçada, nossos horários de descanso determinados, tudo no seu devido lugar. De repente, chega um mini-furacão que vira tudo literalmente do avesso, do avesso MESMO...ehehehe
Não estamos preparadas, por mais que tenhamos lido, estudado, navegado na internet e perguntado ao médico, para um choro descontrolado, que nada consola. Meu caso em especial - quando completou 21 dias, Arthur abria o berreiro às 16h da tarde e só parava às 22h - um horário que eu não tinha nem mãe, nem empregada, nem marido do lado (ele estava terminando a faculdade). Não havia colo, peito, banho de ofurô, remedinho, massagem que resolvesse. Isso minou minha auto-confiança, eu não acreditava em mim como mãe e achava que essa fase nunca passaria... se deixasse, eu ia desde de manhã até a noite de camisola, sem banho, não me alimentava direito à noite, e a coisa só foi aumentando, como uma enorme bola de neve... assuntos do lar, como empregada e compras, eu simplesmente não tinha condições sequer de pensar. Bastava meu marido abrir a boca pra falar de algum serviço mal feito, que eu desatava a chorar. Foi uma fase muito crítica.
Como resolvemos? Pedindo colo! Eu e Arthur íamos para a casa da minha mãe às 8h da manhã e só voltávamos pra nossa casa às 22h30m, quando meu marido saía da faculdade e nos pegava. Aos poucos, fui me restabelecendo, arrisquei a umas saídas pra ir à padaria, fui ao cabeleireiro, voltei a viver a vida fora de casa aos pouquinhos. Com muitos colos pra embalá-lo (gente calma, que não chorava junto com ele durante as crises...ehehe), Arthur foi se acostumando à vida fora do útero, se tornando essa criança linda e feliz que está quase andando...ehehehe
Quando acabou a licença maternidade, que me descobri mulher novamente. É engraçado, a gente se envolve tanto na maternidade que pode chegar ao ponto de se perder dentro de si mesma. Eu disse isso aqui, quando voltei a trabalhar: "Eu? Bem, eu estou indo…um dia muito feliz, no outro muito solitária , odiando barulho (por que será??), e redescobrindo a vida pós-parto… descobri que sentia muita falta de ouvir música, do computador, enfim, das coisinhas que sempre curti, mas que, por alguma razão, enfiei na cabeça que não ia mais fazer… não adianta tentar entender, pirações de cabeça…eheheheh" - hoje, após ter buscado entender o que aconteceu comigo, cheguei à conclusão que nada mais foi que um blues puerperal mais longo. O meu durou alguns meses. Não cheguei a desenvolver sintomas mais perigosos, como não querer o meu filho perto de mim ou a paranóia de perseguição - isso sim, define a depressão pós-parto, e deve ser tratada. Peça ajuda imediatamente se você começar a sentir essas coisas.
Mas o mais importante, em ambos os casos, é aceitar que isso pode acontecer com qualquer um, e que É NORMAL (até mesmo os pais estão sujeitos a DPP!), aceitar suas dificuldades e pedir ajuda. Pois como diz o Mantra das Mães, "vai passar".
E passa!
Beijo grande!

12 comentários:

Ana disse...

Com certeza não se pode saber o qual o tamanho da mudança que a maternidade pode causar sem passar por ela.
Com cada mulher, com cada filho será diferente.
Belo texto!
Beijos!

Sandra disse...

ESTE É COMPLICADO. MUITAS PESSOAS SOFREM.GRAÇAS A DEUS TIVE MUITA TRANQUILIDADE.
MAS CONHEÇO UMA PESSOA MUITO AMIGA, QUE ESTÁ SOFRENDO ATÉ HOJE. ATÉ ESTÁ INFLUENCIANDO NO SEU TRABALHO. ESTE PROBLEMA.

AMIGA, SEI QUE ACABAMOS DE NOS CONHECER E ESTOU MUITO FELIZ POR ISSO. HOJE ME RESTA AGRADECER O SEU CARINHO E AMIZADE.
FOI ATRAVÉS DE UM AMIGO SECRETO, QUE NOS CONHECEMOS. MAS SEI QUE ESTA AMIZADE VAI SER MUITO DURADOURO. VENHO LHE AGRADECER E RETRIBUIR OS SEUS CARINHOS DEIXADOS NO BLOG.
A NOITE VOU VIAJAR E PASSAR O NATAL EM FAMILIA.
COMO ESTOU AFSTADA EM FUNÇÃO DA CIRURGIA NO MEU PÉ, JÁ IREI HOJE COM O MEU IRMÃO. MAS DEIXO UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO. ATÉ 2010.
FOI UM PRAZER ENORME TE CONHECER.


FOI UM GRANDE PRAZER TE CONHECER E ME TORNAR AMIGA, DE UMA PESSOA MARAVILHOSA, TÃO DISTANTE, MAS TÃO JUNTO DE MIM..UNIDA PELO CORAÇÃO...


NÃO DEIXE DE PEGAR OAS SELINHOS NESTE ENDEREÇO.

http://sandraandrade7.blogspot.com/2009/12/interacao-de-amigos-esta-muito-feliz.html#comments

ATÉ A VOLTA EM JANEIRO.
TE AVISAREI QUANDO VOLTAR.
DESEJO A VOCÊ UM LINDO E MARAVILHOSO NATAL E UM NOVO ANO CHEIO DE PAZ E AMOR. SUCESSO E SAUDE. O RESTANTE A GENTE DÁ UM JEITO.
UM FORTE ABRAÇO. DEUS FIQUE CONTIGO.
COM MUITO CARINHO
SANDRA

COM MUITO CARINHO
SANDRA

Bia disse...

Ai Cynthia, li esse post ontem e não tive coragem nem de comentar (de tanto medo que tenho da dita cuja). Mas hoje passei por aqui para te agradecer por desmistificar esse bicho...
Beijos!
Bianca

Cynthia Santos disse...

Pois é, Maninha, cada mulher, uma reação, cada bebê, um jeito de ser... a gente tem que se adaptar...eheheh

Sandra, o prazer foi nosso! Ter uma pessoa tão alto astral no circulo de maigos é maravilhoso! Tenha um ótimo Natal e um Ano-Novo de muita alegria, Paz e energia!!

Oi, Bia, é isso aí, temos que desmistificar tudo, precisamos saber o que vamos enfrentar, pra justamente podermos encarar a maternidade com tranquilidade e serenidade. Precisamos manter a calma, principalmente quando nossos bebês mais precisam de nós: na fase da adaptação pós-parto. Fique tranquila, e que Arthur (amei o nome...eheheh) venha com muita saude!!
Beijo grande!

Sandra disse...

vIM BEM RAPIDINHO....
VENHO LHE AGRADECER POR TUDO O QUE APRENDEMOS JUNTOS ESTE ANO. DIZER QUE TE CONHECER, FOI UM GRANDE PRAZER. SAIO DE FÉRIAS, MAS LEVO A SAUDADE DE CADA UM, QUE JÁ FAZ PARTE DE MINHA VIDA.
VOCÊ É UMA DELAS.
FELIZ NATAL!
QUE DEUS TE ABENÇÕE E LHE DE TUDO DE BOM EM 2010.
LOGO ESTAREMOS JUNTOS DE NOVO.
FICO MUITO FELIZ QUANDO ESTÁ, PPRESENTE. POIS TUA AMIZADE É UMA FLOR COM OS MAIS SENSIVEIS OROMAS.
MUITO OBRIGADA PELA SUA COMPANHINA EM 2009.
SUCESSO, PAZ E MUITA ALEGRIA,.
VENHA NOS MEUS BLOGS, BUSCAR UM CARTÃO DE NATAL.
COM MUITO CARINHO
SANDRA

Luma Rosa disse...

A sobrecarga de responsabilidade, saber que um serzinho tão pequenino e indefeso precisa de você para sobreviver.

Amor não nasce junto com a criança, cresce com a convivência. Por mais que romantizem, também aprendemos a ser mãe, a amar os filhos.

Eu achei que estava paranóica, via coisas que estavam acontecendo e ligava fatos, até que um dia segui a minha nova empregada. Ela estava no quarto mexendo no meu filho. Disse que ele tinha chorado, coisa que não tinha feito. Fui além das referências que tinha da recém contratada e descobri que o marido tinha saído de casa porque ela deu à luz uma menina e ele queria um menino. Meu filho do mesmo tempo que a filha dela. Acho que mãe não se engana. Mandei embora na hora! Fiquei sem ajudante um tempo, mas com a cabeça tranquila.

Me sentia o 'Abóbora" do Mágico de Oz! Emagreci terrivelmente e a minha cabeça pesava e estava enorme de responsabilidade. Até que fui relaxando mais no papel de mãe.

Ser mãe é muito difícil quando cobramos de nós mesmas.

Cynthia, estou saindo de férias por uns dias e antecipadamente quero lhe desejar boas festas! Tudo de bom no novo ano que se inicia!!

Beijus,

Mãe do Pitoco disse...

Cynthia, adorei sua coragem e iniciativa de vir aqui fazer este post. Não é fácil para mamães contarem o lado "negativo" da maternidade, aquele lado em que sofremos, seja porque ficaram doentes, seja porque nós adoecemos. Parabéns, mesmo! Tenho certeza que desabafar e abrir o jogo sobre o que ocorreu lhe tornou uma mulher mais forte e uma mãe muito melhor. Um beijo enorme para ambos.

jamesp. disse...

Minhas caras novas amigas blogueiras,estou passando para desejar um Feliz Natal e um 2010 de paz,saúde e sucesso.
Um abraço.

Paty disse...

Ana,

Tentei comentar no seu blog antes mais estava privado amiga, não entendi nada.
Sobre o post,vi um caso de perto...é mto triste, o pai sofreu mto,a mãe não queria saber do filho, mais hj 5 anos depois a família está super bem.

Sobre o meu post, é dose hein amiga? eu não tenho sangue de barata rsrs...

Se agente não se falar até o Natal...desejo um Feliz Natal para sua família.
Se agente não se falar até o natal....Um Feliz Natal para todas!!!
E q 2010 seja repleto de coisas boas,q seja um ano maravilhoso, cheio de grandes realizações!!!

Beijocas!!!

Cynthia Santos disse...

Oi, Sandra! Um beijo enorme no coração e ótimas festas pra você e sua família!

É, Luma, a célebre frase que diz que quando nasce uma criança, nasce também uma mãe, está pra lá de certa! A gente cresce junto com eles, aprende um pouquinho a cada dia!
Beijo grande,boas festas pra você, e descanse bastante!

Pois é, Mãe do Pitoco, eu passei um susto muito grande, nunca imaginei que esse tipo de coisa (e outras) podiam acontecer... e é por isso mesmo que resolvi contar, acho que tenho a obrigação de deixar esse alerta, temos que ter pelo menos uma ideia do que pode acontecer. E com certeza, saí dessa mais forte, mais paciente e amando a vida ainda mais!!
Um beijo enorme pra você e pro meu sobrinho!!(já adotei, viu?ehehe)

Cynthia Santos disse...

James, querido, um Natal delicioso pra você e um excelente fim-de-ano!

Lia disse...

Adorei seu relato, Cynthia! Com certeza vai ajudar muitas mulheres que estão passando por isso e preparar outras como eu, às vésperas do parto.

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